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Blog do Cidão

Arquivo: Julho 2008

07/07/2008 GMT 1

História & Estórias

cido @ 16:14

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No que concerne ao anticlericalismo, somos todos filhos da Revolução Francesa, mais particularmente do jacobinismo. Dica aos estudantes que quiserem comprar uma boa briga em sala de aula — tomando cuidado: petralha é rancoroso e pode usar a nota (a avaliação) como instrumento de punição e tortura psicológica. Sempre que o esquerdofrênico começar a babar seu ódio contra a Igreja Católica por causa das “torturas da Inquisição”, cabe ao bom estudante indagar:
- Professor(a), não havia tortura antes da Inquisição?
- Professor(a), governos laicos também torturavam?
- Professor(a), o mundo antes da Igreja Católica era melhor e mais justo?
- Professor(a), se o cristianismo era tão mau, por que começou como uma religião dos pobres e de resistência (se ele negar, você escreve pro Tio Rei, que vai socorrê-lo com bibliografia)?

Sou eu um relativista, como acusa um leitor (que me pede mais delicadeza com Marilena Chaui, por exemplo)? Não. Nem revisionista. Acho que a Igreja tem de arcar com seus excessos (ver abaixo). Mas o fato é que a Inquisição tinha mais critério e cuidados do que os governos laicos em seus interrogatórios. A Inquisição ibérica, especialmente a espanhola, fugiu ao controle de Roma. Ainda assim, documentação do Vaticano — que se desculpou — dá conta de que, em 125 mil processos, menos de 2% dos acusados foram condenados à morte. Em seis séculos! Fidel e o Porco Fedorento fizeram mais do que isso em mortos logo no primeiro ano da revolução cubana.

Não estou estabelecendo uma hierarquia de assassinatos. Só estou dizendo que é preciso ver a coisa em seu tempo. Isso não é relativismo. É história. Ou, agora, chamaremos de “injusta” a democracia grega porque excluía as mulheres, os escravos e os pobres? E a ação da Igreja Católica tem de se vista à luz do que era a cultura política e jurídica do seu tempo. Assim como se deve fazer a mesma coisa com o comunismo. E, então, cumpre indagar: quem sai perdendo?

Vamos perguntar ainda ao professor petralha:
- As alternativas à Igreja Católica, no seu tempo, eram melhores ou piores? Um mínimo de honestidade intelectual demonstrará que eram piores.
- E ao comunismo? Havia uma alternativa melhor — do ponto de vista do bem-estar e das liberdades (e que não fosse o fascismo)? Havia.
- E ao fascismo? Havia uma alternativa melhor — do ponto de vista do bem-estar e das liberdades (e que não fosse o comunismo)? Havia.

Comunismo e fascismo são erupções reacionárias — eles, sim — do processo político. Pela simples e óbvia razão de que o Ocidente já havia produzido algo melhor do que aquilo. Um bom exemplo da estupidez nazista, como sabem, é Mengele. A ciência desautorizava sua “ciência”. Ele não era um ousado, um iconoclasta. Era apenas um tarado moral que vivia sob a proteção do poder absoluto. Sempre tomando os chamados “direitos humanos” como referência, pergunta-se: um inquisidor dos séculos 15, 16 ou 17 tinha de seus “crimes” a mesma consciência que tinham de seus respectivos um Stálin ou um Hitler? Não! E a razão é simples: “direitos humanos” também são humanas construções. O estoque de pensamento, nessa área, era muito maior, mais rico e mais variado no tempo em que viveram os dois ditadores do que naquele vivido pelos inquisidores.

“Sei, Reinaldo, então a Igreja Católica está livre de pecados!?”. Não! Não darei a ela o benefício que os próprios papas, ao longo do tempo, não deram. Só que é preciso saber também quem acusa, não é? Acabei de ler, por razões profissionais, uns tantos livros de história. Os professores estão dizendo aos alunos, por exemplo, que, da Revolução Francesa, restou o ideal de “liberdade, igualdade e fraternidade”. E, da Igreja, a Inquisição. Trata-se de uma falácia gigantesca. E o Terror jacobino? E as execuções sumárias praticadas inclusive por seus próprios pares? E o Império Romano pré-cristão?

Leiam, a propósito, reportagem de 2004, de Verity Murphy, da BBC:

Segundo o relatório de 800 páginas, a Inquisição, que espalhou temor na Europa durante a Idade Média, não praticou tantas execuções ou tortura como dizem os livros de história.

O editor do novo livro, professor Agostino Borromeo, sustenta que, na Espanha, apenas 1,8% dos investigados pela Inquisição espanhola foram mortos. Apesar disso, o papa João Paulo 2º novamente pediu desculpas pelos excessos dos interrogadores, expressando pesar por "erros cometidos a serviço da verdade por meio do recurso a métodos não-cristãos".

O papa, porém, não ultrapassou a regra da igreja segundo a qual os pontífices não criticam os seus predecessores. O papa Gregório 9, que criou a Inquisição em 1233 para combater a heresia (a negação da verdade da fé católica), não foi mencionado no comunicado.

Hereges

Após a consolidação do poder na Europa da Igreja Católica Romana, nos séculos 12 e 13, ela estabeleceu a Inquisição para assegurar que os hereges não minassem a sua autoridade. O sistema tomou a forma de uma rede de tribunais eclesiásticos com juízes e investigadores. As punições aos condenados variavam de visitas forçadas à igreja ou fazer peregrinações até a prisão perpétua ou execução na fogueira. A Inquisição estimulava delações, e os acusados não tinham o direito de questionar a pessoa que o havia acusado de heresia.

Ela atingiu o seu pico no século 16, quando a igreja enfrentava a reforma protestante. Seu julgamento mais famoso aconteceu em 1633, quando Galileu foi condenado por postular que a Terra girava ao redor do Sol. A Inquisição espanhola, que se tornou independente do Vaticano no século 15, praticou os abusos mais extremos, sobretudo com o uso dos autos da fé, em que matavam os condenados em fogueiras públicas.

Seus representantes torturavam as vítimas, realizavam julgamentos sumários, forçavam conversões e aprovavam sentenças de morte. "Não há dúvidas de que, no começo, os procedimentos planejados foram aplicados com rigor excessivo, que em alguns casos foram degenerados e se tornaram verdadeiros abusos", diz o novo estudo do Vaticano. Mas o relatório, preparado ao longo de seis anos, argumenta que a Inquisição não foi tão má como se costumava crer.

'Bonecos no fogo'
Borromeo cita como exemplo que, de 125 mil julgamentos de suspeitos de heresia na Espanha, menos de 2% foram executados. Ele afirma que muitas vezes bonecos eram queimados para representar aqueles que foram condenados à revelia. E que bruxas e hereges que demonstravam arrependimento no último minuto recebiam algum tipo de alívio para a dor quando eram estrangulados antes de serem queimados.

Para aqueles que possuem ligação com as vítimas da Inquisição, porém, a declaração do Vaticano de que ela não era tão má quanto se dizia tem pouca importância. Os valdesianos, membros de uma seita protestante declarada herege no século 12, estavam entre as vítimas da Inquisição. "Não importa se há muitos ou poucos casos. O que é importante é que você não pode dizer: 'Estou certo, você está errado, e eu vou te queimar'", disse Thomas Noffke, um pastor valdesiano americano que vive em Roma. Ainda segundo o novo relatório, no auge da Inquisição a Alemanha matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar, cerca de 25 mil.

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/10/histria-e-histrias.html

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Embriões são o que?

cido @ 16:06

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Marcela bebê nascido sem cérebro completa um ano de vidaPergunta

Todos sabemos que não são todos os embriões que formarão uma vida, portanto usar aqueles que não seriam fecundado não há problema nenhum, pois eles não poderiam gerar vida certo? E a partir do uso deles, podemos salvar vidas?
Resposta:
É preciso decidir se o zigoto humano é vida ou não é vida? Sabemos que intocado poderá tornar-se brilhante Juíza do Supremo Tribunal Federal, violado o irrepetível participante da espécie humana não poderá jamais receber as boas-vindas à existência.
É preciso trazer tamanha carga sobre os ombros de nossos magistrados do Supremo Tribunal? Chama-los a definir quando começa a vida da criatura mais singular; não seria uma tarefa pesada demais? Tal circunstância quase uma injustiça para com aqueles que fazem a Justiça no Brasil?
Decidir interromper um processo de gestação é sempre uma escolha árdua, mas é uma tarefa sobre-humana ter que indicar para todos os brasileiros quando tal atitude não será um assassinato.
Não seria omissão, mas delegação, marcar a concepção como o dia do início do humano, simplesmente se estaria indicando que a decisão de iniciar a vida está com o homem e sua amada. É cada casal brasileiro, com um ato prazeroso e livre, o iniciador de uma vida.
Quando falham os contraceptivos - e todos sabem que falham - algo do masculino e algo do feminino se encontram, mantidas aquelas naturais condições jamais determinadas por qualquer tribunal, inexoravelmente se verá surgir um ser humano completamente distinto de todos os demais.
Prezada Marina, Creio que você quis dizer que não são todos os zigotos (óvulos humanos fecundados pelo espermatozóide) que completarão o processo de desenvolvimento no útero materno.
Isso é verdade. A medicina ainda não tem todas as explicações do porquê um bom número de zigotos não completa a nidação, ou seja, não se fixam ao útero.
Primeiro ponto. O fato da natureza descartar óvulos fecundados não nos autoriza a tomar a iniciativa de também fazê-lo.
Se a natureza os lança fora é porque deve ter um bom motivo. Todos nós reconhecemos que a natureza segue a Sabedoria de seu Criador. Nós, humanos, não somos Deus, e portanto, não temos o direito de fazer por conta própria o que as leis da natureza o fazem por determinação de seu Idealizador.
Segundo Ponto. Só interessa para os manipuladores de embriões humanos aqueles bons, justamente os que se desenvolvem bem, os que produzem vida saudável. Embriões que a natureza descartaria também seriam descartados pelos sombrios cientistas. Tanto é assim, que no processo de fecundação “in vitro” (no tubo de ensaio) a maioria dos embriões são jogados na lata do lixo porque não foram em frente em seu desenvolvimento. São justamente os mais fortes e perfeitos que serão escolhidos para fornecerem a própria pele para que outros seres humanos se curem de suas doenças.
Irmã Marina, último ponto. Só quem não crê em Deus pode aceitar que Ele não nos daria outros caminhos muito mais humanos pra se chegar à cura da mesmas doenças. Quem crê no amor, na atenção, na misericórdia de Deus para com seus filhos sabe que jamais estaria em seus planos dar a vida de inocentes para curar outros seres humanos. Onde no Evangelho de Jesus se testemunha uma atitude semelhante da parte do Senhor? Ele chega a dar a própria vida, mas jamais desampara um para ajudar a outro.
O Diretor Igmar Bergman no seu clássico filme o “Ovo da serpente” mostra como os cientistas nazistas utilizavam seres humanos como cobaias. Tinham como objetivo justamente descobrir remédios para os demais. Sabe-se de experimentos terríveis, como o de quebrar várias vezes os ossos de crianças de diferentes idades para se estudar a capacidade do organismo de voltar a reconstituir o osso triturado. O objetivo era descobrir meios de acelerar a recuperação de soldados feridos em campos de batalha.
Se concordarmos em usar pessoas para curar pessoas só vamos nos tornar menos gente.

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